Seja um Desenvolvedor, não um liquidificador

Quantidade de testes não importa, mas sim a qualidade

Já vi desenvolvedores dizerem que o projeto tem mais de 300 testes, mas a cada nova versão diversos novos bugs aparecem ou se repetem.

Veja o código abaixo:

    if (value != null) {
        // do something
    } else {
        // do something else
    }

De que adianta ter 30 testes em cima da condição value != null se o else não tem nem um teste?

Você precisa testar as condições da regra de negócio, garantindo que todos os casos sejam cobertos.

Um fato interessante é que o desenvolvedor será cobrado caso ele justifique um atraso em determinada tarefa por causa dos testes. Não adianta gastar um tempo enorme sempre testando a mesma coisa se alterando o valor nada novo acontecer, e isso acontece facilmente quando o desenvolvedor não pensa “o que testar”. Lembre-se: ‘um bug pode estar escondido no “else”‘.

Utilize ferramentas

Utilize testes que ajudem na hora do testes. Ferramentas que eu poderia citar são:

  • Mock – Crie objetos que simule comportamentos quando você não tem controle sobre essa classe, como por exemplo um webserviceou alguma ação no banco de dados: PowerMock, Mockito, EasyMock, Aquiles, SpringTest (é possível simular até request HTTP)
  • Cobertura de testes – Frameworks que exibem quais linhas seu teste está cobrindo: Cobertura, Jacoco, Emma
  • Análise estática do código – Frameworks que olham o código e procuram por possíveis problemas/otimizações: Checkstyle, FindBug, PMD
  • Automatização de testes: Você pode configurar para que a cada commit realizado os “alguém” dispare os testes. Esse “alguém” pode monitorar quando um commit/push é feito e disparar os testes. Posso citar: Jenkins e Bamboo

Existem diversas outras ferramentas que eu não citei por que não me lembrei do nome.

:(

Achou um bug? Crie um teste

Uma prática simples e muito necessária em nosso dia a dia de desenvolvimento. É muito fácil resolver um bug, mas é mais fácil ainda alguém introduzi-lo novamente no sistema.

Se achou um bug crie um teste que simule o erro e depois faça a correção. Coloque no nome dele ou em algum comentário a ISSUE/TASK (por exemplo Jira) que se refere a esse bug. Desse jeito fica mais fácil de monitorar e rastrear a solução do bug e, caso ele volte a acontecer, entender se foi alguma alteração no código ou algum novo cenário que proporcionou isso.

Solução proposta

Tenha a certeza de que seu código é coberto por testes e que as regras de negócio estão sempre protegidas.

35 thoughts on “Seja um Desenvolvedor, não um liquidificador

  1. Ótimo assunto a ser abordado em uma época em que annotations invadem nossos códigos e cada vez mais é notável a falta de conceitos básicos

    • Rafael, bom dia.

      Realmente eu fico triste por ver o básico sendo trocado por facilidades, que depois viram o buraco do projeto.

      Obrigado pelo apoio. (:

  2. Hébert, você nunca retorna uma entidade JPA para a view, mesmo se for para um HTML? Sempre cria um DTO se for fazer isso?

    Fiquei surpreso com a afirmação, não estava ciente de que isso era considerado uma boa prática. Costumo criar DTOs apenas se as informações da view não refletem exatamente os campos da entidade, necessitando exibir outros campos.

    Outra coisa, e se eu estiver utilizando JDBC? Ainda assim você criaria um DTO para exibir na view?

    • Rafael, boa noite.

      Nos últimos 4 projetos que criei eu não retornei mais a Entity para a VIEW, e honestamente só vi ganho nessa abordagem. O problema de começar retornando uma Entity direto para View é justamente que quando houver a necessidade da diferença em que a view precisa de coisa a mais, será necessário um refactoring que poderia ser evitado.
      E eu acredito que a prática de DTO deve ser aplicada independente se você está com JDBC, JPA, etc.

      Obrigado pela visita. (:

      • E como você nomeia estes DTOs?
        Por exemplo, digamos que você tenha uma página ListaProdutos.jsp, e outra CadastraProduto.jsp, sendo que existem diferenças entre os campos exibidos em cada uma.

        Neste caso você criaria uma CadastraProdutoDTO e uma ListaProdutosDTO, ou criaria apenas uma ProdutoDTO com todos os campos das duas páginas?

        • Rafael, boa noite.

          Eu diria isso varia. No caso de um cadastro de produto, realmente eu utilizaria um ProdutoDTO. Agora, imagine que na tela de listar produto, seja necessário diversos outros atributos. Aí eu criaria um ListarProdutosHome e nele colocaria o ProdutoDTO e os outros atributos.

          Para entrada de dados que eu costumo criar objetos mais específicos. Imagine que tenha um serviço só para alterar o preço do produto. Eu penso que seria melhor ter um AlteraPreçoProdutoDTO com um campo apenas (+ID), do que a pessoa ver um ProdutoDTO e não saber oq deve ou não ter lá dentro.

          Espero ter sido claro.

          Obrigado pela visita.

  3. Ótimo post, para mim que sou um “recruta” em programação java o post despertou uma vontade de buscar mais sobre as boas práticas de desenvolvimento e principalmente sobre o que não deve ser feito!

    Abraços

    • Matheus, boa noite.

      Fico feliz em saber que consegui te estimular na qualidade de código.

      Obrigado pelo comentário e pelo apoio.

  4. otimo post hebert como sempre

    mas eu gostaria de fazer uma pergunta esse post voce escreveu baseado em sua experiencia como desenvolvedor ou se voce leu algum livro ou algo assim que serviu de inspiração para criar ele ? e se foi so de experiencia qual livro ou conteudo voce indicaria pra ter uma base maior alem do post ?

    • Manoel, boa noite.

      Eu diria que foi baseado em um pouco de cada.

      Quanto aos livros eu já li + de 40 livros técnicos, então não tenho um específico que aborde tudo. =/

      Eu diria que o livro de padrão de projeto e de OO da séria Use a Cabeça já são um ótimo início.

      Obrigado pelo apoio e pelo comentário.

  5. Excelente artigo Hebert. A facilidade fornecida pelo mundo das annotations e a pressa por “criar” algo as vezes deixa o desenvolvedor preguiçoso por entender como as coisas funcionam por debaixo dos panos e a forma correta de se estruturar uma aplicação. Conhecer o conceito é parte fundamental da evolução do desenvolvedor e, o resultado vemos em sistemas que chegam a ir para produção mas logo começam a falhar por coisas como essas.

  6. Herbert, uma pergunta,no caso do componente p:autocomplete do primefaces, para retornar a lista com os valares para o componente autocompletar, faço acesso ao um metodo da minha classe DAO, isso é correto ou estou misturando camadas:

    /* Métodos dos Componentes AutoComplete */
    public List orgOrigemComplete(String parametro) {
    return new TOrgDAO().consultarComplete(parametro, “I”,
    loginBean.getLogin());
    }

    Coloco no meu Managed Bean ….

    • Cedric, boa noite.

      Note que seu MB está acoplado ao DAO diretamente. Tem um parâmetro “I” que não é claro no que significa e o MB também chamada o loginBean.

      Honestamente eu faria lago como
      return pessoaService.consultar(parametro, login());

      Desse modo, qualquer alteração no modo de pesquisa, não afetaria o MB.

      Bem, essa é minha opinião e existem vários outros modos de se fazer isso.

      Espero ter ajudado.

  7. Excelente post Hebert, porém eu gostaria de discutir um pouco sobre a camada de Service:
    Ao implementação de pequenos CRUDs na aplicação os objetos Service acabam existindo como meros Dispatchers, isso acaba entrando em outro problema, pois criamos um objeto anêmico.

    • Leonardo, boa tarde.

      Me desculpe a demora, estive muito ocupado nesse último mês.

      Eu concordo com você. O problema é justamente quando for começar a ter alguma lógica. A pessoa que for criar a lógica, ela vai saber criar a nova camada? Se sim, por mim poderia até pular essa camada. Em minha experiência é que se os desenvolvedores não vêem, eles não usam/criam do padrão. Por isso que eu acabo sempre criando essa camada ‘seca’. =/

      Obrigado por tudo e desculpe a demora.

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